Análise no Yahoo Finance projeta que ações da Oracle ficarão atrás do S&P 500 até 2030

Texto publicado pelo Yahoo Finance, com base na The Motley Fool, aponta gastos recordes em data centers de IA, fluxo de caixa negativo e emissões de dívida e ações como fatores que podem limitar o desempenho da Oracle frente ao índice americano.
Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
Uma análise republicada pelo Yahoo Finance, com origem na The Motley Fool e assinada por Daniel Sparks em 17 de outubro de 2026, prevê que as ações da Oracle (ORCL) podem ficar atrás de um fundo que replica o índice S&P 500 entre agora e 2030. O texto não é previsão de mercado oficial, mas a leitura de um colunista sobre como o ritmo de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial pode pesar no papel da gigante de software na comparação com o índice de referência dos Estados Unidos.
Na ocasião da publicação, a Oracle negociava perto de US$ 130 — cerca de 60% abaixo do fechamento recorde de US$ 328,33 em 10 de setembro de 2025. As ações acumulavam queda de 33% no ano, enquanto o S&P 500 havia registrado retorno de cerca de 13% até setembro, segundo o autor. No fechamento de 16 de outubro de 2026, o pregão listava ORCL a US$ 128,23, com recuo de 4,64% no dia.
O argumento central é que, apesar de múltiplos de lucro aparentemente baixos, o fluxo de caixa livre negativo e a necessidade de captar dívida e capital próprio podem atrasar a recuperação do valor de mercado, mesmo com um backlog contratual bilionário ligado à nuvem e à IA.
O que aconteceu
Sparks destaca que, no exercício fiscal encerrado em 31 de maio de 2026, a Oracle gastou US$ 55,7 bilhões em investimentos (capex), enquanto o fluxo de caixa operacional subiu 54%, para US$ 32 bilhões. O resultado foi fluxo de caixa livre negativo em US$ 23,7 bilhões. Os gastos seguiram em alta ao longo do ano fiscal e, no primeiro trimestre do exercício de 2027 (encerrado em 31 de agosto de 2026), o capex chegou a US$ 28,5 bilhões — mais do que o triplo do mesmo período do ano anterior.
A direção orienta capex total de US$ 90 bilhões a US$ 95 bilhões no exercício fiscal em curso. Mesmo descontando adiantamentos de clientes e efeitos de calendário, a empresa planeja desembolsar até US$ 70 bilhões neste ano, contra cerca de US$ 48 bilhões no fiscal 2026. No trimestre, o fluxo operacional saltou 184% na comparação anual, para US$ 23,1 bilhões, impulsionado em parte por US$ 11,4 bilhões em prepagamentos de clientes — mas o fluxo de caixa livre permaneceu negativo em US$ 5,4 bilhões, o sexto trimestre consecutivo abaixo de zero.
Em teleconferência de resultados em setembro, a diretora financeira Hilary Maxson disse que a companhia não fixou prazo para voltar a gerar fluxo de caixa livre positivo, embora tenha descrito cada projeto de data center como potencialmente gerador de caixa após a rampagem. As obrigações de desempenho remanescentes — receita contratada ainda não reconhecida — totalizaram US$ 664 bilhões ao fim do trimestre; a Oracle espera reconhecer cerca de 13% desse montante nos 12 meses seguintes e aproximadamente metade só depois de agosto de 2029, enquanto custos e depreciação (US$ 3,2 bilhões no trimestre, ante US$ 1,4 bilhão no ano anterior) entram antes na conta.
Para cobrir o intervalo, a empresa vendeu US$ 20 bilhões em ações em programa at-the-market no trimestre e prevê levantar cerca de US$ 40 bilhões em dívida e equity no exercício. O número médio de ações em circulação cresceu 5% na comparação anual; a despesa com juros subiu 55%, para US$ 1,4 bilhão, em parte após emissão de US$ 43 bilhões em títulos no fiscal 2026. O texto cita ainda múltiplo próximo de 16 vezes o lucro ajustado esperado de US$ 8,10 por ação no ano fiscal, abaixo do P/L futuro de quase 19 do S&P 500 em 30 de setembro, e a meta da gestão de crescimento composto de 28% ao ano no lucro por ação até o fiscal 2030 — com a ressalva do autor de que lucro contábil não equivale a caixa e que novas emissões podem diluir o resultado por papel.
Impacto na prática
Para quem acompanha mercados internacionais, a discussão pode repercutir na forma como investidores enxergam nomes de tecnologia ligados à corrida por capacidade de IA: em tese, um backlog enorme não garante, sozinho, retorno imediato ao acionista se o caixa sair antes da receita. A análise sugere que fundos amplos atrelados ao S&P 500, em hipótese, poderiam parecer menos expostos a diluição e ao custo de financiar anos de obra de data centers do que uma posição concentrada na Oracle.
No setor de cloud e software corporativo, o caso também pode alimentar o debate sobre risco de execução e margens: Maxson já havia indicado em junho que a margem bruta cairía neste exercício com a entrada em operação de novos centros de dados antes da receita plena. Empresas clientes que antecipam pagamentos ajudam o caixa operacional, mas o texto ressalta que, no trimestre citado, isso não eliminou o déficit de caixa livre — o que, em cenários mais cautelosos, poderia aumentar a sensibilidade do papel a revisões de expectativas ou a choques de juros.
Em escala macro, não há na fonte projeção para economias fora dos EUA; ainda assim, a Oracle opera globalmente, e atrasos ou custos maiores na expansão de IA nos Estados Unidos podem, em tese, influenciar contratos e concorrência com outros provedores de nuvem, com efeitos indiretos em mercados onde esses serviços são contratados. Nada disso está descrito como inevitável — trata-se da leitura de um analista sobre o descompasso entre investimento imediato e reconhecimento de receita ao longo de vários anos.
Se a gestão entregar o crescimento de lucro por ação que projeta até 2030, o próprio autor admite que a previsão de subperformance frente ao índice pode não se confirmar. Até lá, o Yahoo Finance destaca uma tese pessimista baseada em seis trimestres seguidos de caixa livre negativo, gastos em escala de dezenas de bilhões de dólares e dependência de mercado de capitais — cenário em que, na visão publicada, o índice amplo dos EUA poderia oferecer trajetória mais simples para o investidor do que aguardar a virada do ciclo de investimentos da Oracle.
Fontes: The Motley Fool / Yahoo Finance; Google News
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