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Bolsa da Indonésia cai ao menor patamar desde 2020 após alerta da MSCI

Bolsa da Indonésia cai ao menor patamar desde 2020 após alerta da MSCI

Consulta da indexadora sobre reclassificar o país como mercado isolado pressiona o Jakarta Composite, que acumula queda de mais de 40% no ano.

Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)

A Bolsa da Indonésia voltou a desabar nesta segunda-feira (19) e o índice Jakarta Composite chegou ao menor nível desde 2020, em meio a temores sobre as condições de investimento no país. O movimento segue o alerta da MSCI Inc. de que a Indonésia pode ser retirada de seus índices de ações.

Na semana passada, a indexadora abriu uma consulta pública para avaliar a reclassificação do mercado indonésio de emergente para a categoria de mercado isolado (standalone). O prazo para comentários vai até 30 de abril de 2027; a decisão final está prevista para até 30 de junho do mesmo ano.

No pregão desta segunda, o Jakarta Composite recuou 3,64% e fechou em 4.996,61 pontos, após ter caído 5,4% no início das negociações, até 4.907,37 pontos. A queda de hoje soma-se ao tombo de 12% na sexta-feira e eleva as perdas acumuladas no ano para mais de 40%, entre os piores desempenhos de bolsas no mundo.

O que aconteceu

Se a mudança proposta pela MSCI for confirmada, as ações listadas na Indonésia deixariam de compor vários índices globais seguidos por fundos internacionais — o que pode obrigar gestores a vender papéis do país para alinhar carteiras aos novos critérios.

A operadora da bolsa informou nesta segunda que restringiu os limites de negociação de ações individuais: a queda máxima diária permitida passou de 15% para 7% até o fim de 2026, com possibilidade de revisão conforme o mercado evoluir. A entidade também disse que buscará esclarecimentos sobre os motivos do anúncio da MSCI, citando reformas recentes no mercado.

Para Gareth Leather, da Capital Economics, a proposta é “muito pior do que se esperava”. Em nota, o economista lembrou que a MSCI já havia ameaçado rebaixar a Indonésia à categoria de mercado de fronteira, mas agora sustenta que isso subestimaria a gravidade dos problemas.

O episódio reacende memórias de janeiro, quando a MSCI disse que poderia rebaixar a Indonésia a mercado de fronteira por preocupações com as condições de investimento e a transparência — movimento que, na ocasião, desencadeou liquidação avaliada em quase US$ 80 bilhões. Segundo analistas do Goldman Sachs citados na cobertura, uma exclusão total dos índices MSCI poderia provocar cerca de US$ 5,6 bilhões em saídas passivas; outro US$ 2,7 bilhões entrariam em jogo se a FTSE Russell adotasse medida semelhante.

Analistas do CIMB alertaram que os efeitos de um rebaixamento podem extrapolar o mercado de ações, com risco de atraso em compromissos de investimento direto estrangeiro e de nova onda de fuga de capital de outros ativos locais.

Impacto na prática

Para quem acompanha fundos globais ou carteiras diversificadas em mercados emergentes, a consulta da MSCI pode, em tese, antecipar movimentos de realocação ainda antes da decisão final — especialmente se gestores passivos precisarem espelhar mudanças nos índices de referência.

Na Indonésia, autoridades e a própria bolsa tentam reduzir a volatilidade com circuit breakers mais rígidos; isso pode limitar quedas abruptas no curto prazo, mas não elimina, por si só, a incerteza sobre o status do país nas classificações internacionais.

Em hipótese, os riscos citados pelo CIMB — atrasos em compromissos de investimento direto estrangeiro e nova rodada de saídas de capital de outros ativos locais — poderiam repercutir além do mercado acionário. Nada disso está consumado: a consulta segue aberta por meses e a decisão da MSCI só deve sair até 30 de junho de 2027.

Enquanto isso, o Jakarta Composite permanece entre as piores bolsas do planeta em 2026, e o debate sobre transparência e condições de investimento na Indonésia tende a permanecer no radar de indexadoras e de gestores globais — com o mercado reagindo a cada sinal de que o país pode perder espaço nos índices acompanhados por fundos globais.

Fontes: InfoMoney

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