Changan e CAOA injetam R$ 5 bilhões e fabricam o UNI-T flex em Anápolis

Novo ciclo de R$ 5 bilhões até 2028 na planta de Anápolis (GO). Primeiro UNI-T nacional, motor 1.5 turbo flex, 90 mil unidades/ano e Lula na inauguração.
A Changan Automobile e a CAOA amarraram no Brasil um ciclo de R$ 5 bilhões até 2028, inauguraram linha automatizada em Anápolis (GO) e tiraram da fábrica o primeiro UNI-T nacional — SUV com motor 1.5 turbo flex calibrado para etanol e gasolina. A cerimônia, em 26 de março, teve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o embaixador da China, Zhu Qingqiao.
Anápolis vira polo da Changan no Brasil
Para a Changan, o Brasil deixou de ser só destino de exportação. Zhu Huarong, presidente do China Changan Automobile Group, disse que o país “não é apenas um lugar para investir, mas um território onde nos comprometemos a construir um futuro de longo prazo”.
A CAOA concluiu antes da hora o programa de R$ 3 bilhões anunciado em 2023 e abriu o novo ciclo. Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, copresidente da CAOA, afirmou que o UNI-T mostra que o Brasil pode ser polo global de engenharia automotiva — não só linha de montagem.
A imprensa especializada registrou que os modelos da Changan ocupam a linha que a CAOA usava com a Hyundai. A CAOA Chery segue em Anápolis. O investimento novo, segundo Andrade Filho à AutoData, vai inteiro para a operação Changan. BNDES ainda não entrou; a empresa já acessou a Finep para o sistema híbrido flex.
Motor flex: etanol no centro da aposta
O coração do UNI-T é o 1.5 Turbo GDi BlueCore Flex, projetado pela Changan e calibrado pela engenharia da CAOA para qualquer mistura etanol–gasolina. A AutoData aponta sistema bicombustível da Bosch. Números da CAOA: 180 cv, 29,2 kgfm, câmbio DCT de 7 marchas, 0 a 100 km/h em 7,4 s e autonomia de até 700 km.
Aqui o Brasil entra no jogo que a China não resolve sozinha. Etanol, programa MOVER e reindustrialização são o encaixe político do investimento — digitalização da linha, treino de mão de obra e powertrain local, não só CKD.
Há divergência nos testes. A newsroom global da Changan fala em 200 mil km. A CAOA descreve 30 protótipos e mais de 2 milhões de km no asfalto e no clima brasileiros, com 200 engenheiros chineses e brasileiros. Os dois textos são oficiais do grupo; o Mundo dos Negócios registra os dois.
Há ainda comando de voz em português e cockpit conectado. A CAOA lista suspensão, direção, freios e software recalibrados “no Brasil, para o Brasil”. Comprimento 4,54 m, entre-eixos 2,71 m, porta-malas 425 litros — SUV cupê, mais baixo que a média do segmento.
Híbridos, 60 lojas e a conta industrial
A Changan promete gama híbrida e eletrificada em cima dessa base flex. Jan Telecki, da CAOA Changan, disse à AutoData que vêm mais três SUVs neste ano em Anápolis — um ainda no primeiro semestre —, com versões HEV e PHEV. A Autoesporte cita CS75 e CS55 como candidatos; a empresa não fechou os nomes no comunicado. Elétricos da marca de luxo Avatr entram importados.
Mais de 60 concessionárias abrem em 2026, segundo a Changan. É o braço comercial do mesmo cheque: fábrica + rede + etanol. Sem loja no interior, o flex não vira volume.
Para o negócio brasileiro, o recado é duplo. Primeiro: montadora chinesa deixa de só desembarcar SUV importado e passa a copiar o roteiro clássico — localizar motor, empregar e sentar na mesa do MOVER. Segundo: a CAOA diversifica depois da Hyundai e usa Anápolis como plataforma multimarca (Changan + Chery). Quem fornece autopeças, etanol, logística e crédito ao varejo de R$ 170 mil entra nessa conta antes do híbrido plug-in.
O ciclo vai até 2028. O primeiro carro já saiu. O teste agora é volume, conteúdo local e se o flex chinês pega o motorista que hoje olha Compass, Boreal e os SUVs médios nessa faixa de preço.
Ver o comunicado da CAOA Changan
Fontes: Global Changan, newsroom (26/03/2026) · CAOA Changan — produção nacional do UNI-T · AutoData (26/03/2026) · UOL Carros / Primeira Classe · Autoesporte · programa MOVER (governo federal)
Matéria com base no comunicado oficial da Changan, cruzado com o texto da CAOA e reportagens de 26/03/2026. Preço, potência e emprego são da CAOA; capacidade de 90 mil/ano e os US$ do ciclo, da newsroom global. Quilometragem de testes diverge entre as duas casas oficiais.