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Comitê investiga empréstimo de £55 mi ao dono do City em fundo habitacional de Burnham

Comitê investiga empréstimo de £55 mi ao dono do City em fundo habitacional de Burnham
Imagem ilustrativa

Vereadores da Grande Manchester vão apurar financiamento do projeto Manchester Life, em meio a pressão por transparência sobre encontros do premiê com o clube.

Foto: Matheus Bertelli (Pexels)

Um empréstimo de 55 milhões de libras esterlinas concedido ao proprietário abu-dabiano do Manchester City entrou no foco de uma revisão sobre um fundo de habitação operado enquanto Andy Burnham era prefeito da Grande Manchester. O comitê de fiscalização da autoridade combinada da região (GMCA) pretende apurar o financiamento do empreendimento Manchester Life, em um momento em que o primeiro-ministro britânico prometeu “transparência plena” sobre seus vínculos com os donos do clube.

A investigação ganha contorno político após semanas de escrutínio sobre a relação do premiê com os proprietários do City. O clube foi considerado culpado de inflar a receita em 900 milhões de libras ao longo de nove anos, em violação das regras financeiras do futebol inglês. Burnham, que hoje está na Downing Street e antes liderou a GMCA, havia sido acusado de alinhar-se aos investidores do Emirados depois da infração “sem precedentes”, ao elogiar o papel deles na “construção da Manchester moderna” e dizer que ficaria “muito preocupado” em perder essa parceria no esporte.

Em 2017, três empresas controladas, no fim da cadeia, pelo dono do City, o xeque Mansour bin Zayed al-Nahyan — vice-presidente e vice-primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos — receberam os 55 milhões de libras por meio do fundo administrado pela GMCA sob Burnham. Os recursos financiaram o Manchester Life, projeto que prometia 6 mil moradias como uma oportunidade “sem precedentes” para a cidade.

O que aconteceu

A GMCA informou que os empréstimos foram quitados integralmente, mas não divulgou a taxa de juros nem explicou por que Mansour, integrante de uma das famílias mais ricas do mundo, teria sido elegível ao programa. Na semana passada, revelou-se que Burnham se reuniu com os proprietários do City em hospitalidade no estádio Etihad poucas semanas antes da aprovação dos empréstimos. O registro desse encontro sumiu dos arquivos públicos e só voltou à luz recentemente, o que levou o premiê a pedir à GMCA uma “varredura manual” de suas reuniões para garantir transparência.

John Leech, vereador liberal-democrata de Manchester e presidente do comitê de visão geral e fiscalização da GMCA, disse à BBC que o fundo — que desde 2015 repassou cerca de 1 bilhão de libras a cerca de 50 incorporadoras — será objeto de investigação. Leech criticou o processo de aprovação como “muito opaco” no passado e disse que nem sempre ficou claro “por que X foi bem-sucedido e Y não”. Para ele, “não é irracional” questionar por que negócios aparentemente sólidos precisariam de dinheiro público por esse esquema; no caso abu-dabiano, “imaginaria-se que não haveria dificuldade em obter recursos em outro lugar”. O vereador avaliou que o processo parece “desalinhado” com os objetivos originais fixados em 2015 e pediu clareza em vez de opacidade.

A Downing Street recusou-se a comentar. Um porta-voz da GMCA disse que a autoridade apoia as diligências do comitê liderado por Leech e ressaltou que o fundo já entregou 11 mil novas moradias e movimenta “bilhões de libras em desenvolvimento sem custo ao contribuinte”. A GMCA acrescentou que decisões de empréstimo são tomadas em público, que “nenhum esquema viável foi recusado” e que os critérios seguem parâmetros do governo e padrões de diligência do setor privado, com assessoria de especialistas financeiros externos.

Impacto na prática

Para moradores da Grande Manchester, o caso pode reacender o debate sobre como recursos públicos e semi-públicos financiam moradia em uma das regiões metropolitanas mais pressionadas do Reino Unido. Se a apuração confirmar falhas de transparência, em tese poderia influenciar regras de elegibilidade e divulgação de taxas em fundos semelhantes, com efeito direto sobre quem concorre a crédito para projetos habitacionais.

No plano nacional, a combinação entre escândalo financeiro no futebol, empréstimos a grupos ligados ao City e a posição de Burnham como premiê sugere pressão política adicional sobre a confiança em registros oficiais de encontros e sobre a linha entre desenvolvimento urbano e proximidade com grandes investidores estrangeiros. Analistas do contexto britânico podem interpretar que novas exigências de auditoria em autoridades combinadas se tornem mais prováveis caso o comitê documente inconsistências — sempre como hipótese, não como desfecho certo.

O desdobramento no Etihad e na GMCA pode, portanto, servir de termômetro para a promessa de “transparência plena” do governo: se a revisão dos empréstimos de 2017 expuser lacunas nos registros ou nos critérios do Manchester Life, Burnham tende a enfrentar perguntas ainda mais incômodas em um momento em que a opinião pública já associa seu nome à defesa dos proprietários do clube após a multa recorde por irregularidades contábeis.

Fontes: The Guardian

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