Ele tentou a vida nos EUA, voltou e fez do espetinho um negócio de R$ 200 milhões

Leandro Souza fundou o Espetto Carioca após voltar dos Estados Unidos; o Grupo Impettus reúne mais de 100 unidades e faturou cerca de R$ 200 milhões no ano passado.
Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
Leandro Souza emigrou aos 19 anos para os Estados Unidos, trabalhou como manobrista, entregador de pizza e segurança de boate, montou um negócio de valet e chegou a voar como piloto em formação. A crise de 2009 cortou os planos na aviação e ele voltou ao Rio de Janeiro. Diante de um espetinho vendido na rua, encontrou o conceito que virou o Espetto Carioca — hoje núcleo do Grupo Impettus, com mais de 100 unidades, várias marcas de alimentação e faturamento de cerca de R$ 200 milhões no ano passado, segundo relato publicado neste sábado (17).
A aposta era levar o churrasquinho das calçadas e dos arredores de estádios e boates para um ambiente de bar, com mesas, chope gelado e música. A primeira unidade abriu em 2010. Depois da expansão pelo Brasil, o grupo passou a vender espetinhos na Europa e prepara operação para testar o mercado americano.
O percurso foi contado no podcast Do Zero ao Topo, apresentado por Mariana Amaro, em matéria assinada por Marcelo Moura no InfoMoney.

O que aconteceu
Leandro cresceu em Anchieta, no subúrbio do Rio, filho de empregada doméstica e porteiro. Começou a trabalhar aos 13 anos — entregador de jornal, office boy e estagiário em comunicação. Nos EUA, sem conhecer ninguém e “sem falar hot dog”, acumulou experiências até a aviação ser interrompida em 2009. Ao retornar, comprou casa para os pais e buscou abrir um negócio.
A ideia inicial era um restaurante mexicano inspirado em Los Angeles; um sócio desistiu. Ele então mirou o espetinho de rua: “por que não levar para um lugar aconchegante?”, recorda. O produto não seria reinventado; mudaria o ambiente de consumo.
A aceitação levou a novas lojas. Na terceira unidade, o volume de clientes superou a capacidade da equipe e o serviço sofreu. O endereço ajudou a popularizar a marca no Rio e atraiu interessados em franquias. Em 2011 o Espetto Carioca passou a operar no modelo de franquia.
O portfólio ganhou outras bandeiras — Mané, Buteco Seu Rufino e a cafeteria Momento Bendito — e verticalização: o Carioca Foods, frigorífico que padroniza espetinhos para as lojas e fornece em white label a bares e mercados; e a OMG, fábrica de doces para as próprias unidades e outros grupos de alimentação. Receita passou a vir de bares, franquias, marcas e fornecimento a terceiros.
Na Europa, o grupo comercializa espetinhos em Portugal por meio de representante que abastece bares. Leandro descreve o país como porta de entrada para outros mercados europeus. Nos EUA, a entrada do produto exige decisão sobre mandar carne sem tempero ou produzir localmente, já que o churrasquinho temperado não pode chegar da mesma forma. O plano é usar três lojas em Orlando para medir aceitação antes de avaliar outros estados.
Impacto na prática
Para quem frequenta bares e redes de alimentação fora de casa, o caso ilustra como um produto de rua pode ser reposicionado em formato de franquia e marca — sem que isso signifique, por si só, replicação automática em outros negócios. Consumidores em Portugal e, em tese, em Orlando podem ter mais opções ligadas ao Grupo Impettus se os testes internacionais avançarem.
No setor de franquias e food service, a combinação de lojas próprias, franquias, frigorífico e fábrica de doces pode, em hipótese, influenciar discussões sobre padronização e escala, à medida que redes buscam controlar qualidade e custo. Parceiros que compram em white label no Carioca Foods já entram nessa cadeia, conforme a reportagem.
A expansão americana, ainda em fase de teste, pode — se a aceitação confirmar os planos descritos por Leandro — reabrir para o fundador um mercado onde ele já trabalhou em funções distintas da atual, agora como empresário de alimentação. Nada disso está dado como certo: depende de regulamentação de importação, operação local e resultado das três unidades em Orlando.
Se o roteiro internacional se consolidar, o Grupo Impettus pode reforçar a imagem de rede brasileira de espetinho com presença na Europa e nos Estados Unidos — exatamente o contrário da jornada que começou com empregos informais nos EUA e um estalo diante de um espetinho carioca na calçada.
Fontes: InfoMoney — Ele tentou a vida nos EUA, voltou e fez do espetinho um negócio de R$ 200 milhões
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