Embaixador dos EUA na UE ameaça retaliação devastadora se Europa limitar a Starlink

Embaixador dos EUA na UE ameaça retaliação devastadora se Europa limitar a Starlink
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Andrew Puzder alertou empresas europeias após proposta da Comissão Europeia de reservar espectro para satélites ligados a celulares, medida que afetaria a SpaceX.

Foto: Th2city Santana (Pexels)

O embaixador dos Estados Unidos junto à União Europeia, Andrew Puzder, ameaçou neste domingo (18) uma retaliação "devastadora" de Washington contra empresas europeias caso Bruxelas avance com planos que restrinjam concorrentes norte-americanos — entre eles a SpaceX, de Elon Musk, operadora da rede Starlink — em partes do mercado do bloco. O alerta foi dado em entrevista ao Financial Times e repercutiu na imprensa brasileira, incluindo o O Globo.

A declaração ocorre depois de a Comissão Europeia propor, em 2026, reservar a empresas europeias parte das bandas de espectro que permitem a smartphones se conectar diretamente a satélites. Segundo a reportagem, a medida reduziria as frequências disponíveis para companhias americanas e chinesas, com impacto direto na SpaceX e no serviço Starlink.

Questionado se empresas do continente deveriam temer represálias, Puzder disse que elas "deveriam estar cientes de que isso pode acontecer e seria muito devastador para essas empresas", citando o tamanho do mercado norte-americano. O diplomata não detalhou quais medidas concretas os EUA poderiam adotar.

O que aconteceu

Em Bruxelas, o embate une soberania tecnológica europeia e pressão diplomática dos EUA. Formuladores do bloco buscam diminuir a dependência de tecnologia americana, em meio a preocupação com a imprevisibilidade do presidente Donald Trump e com infraestruturas críticas em mãos estrangeiras, conforme Barbara Moens e Henry Foy, do Financial Times.

As mudanças de espectro integram um pacote mais amplo. A Comissão Europeia apresentou uma Lei de Desenvolvimento de Nuvem e IA que, segundo a matéria, impõe requisitos de soberania a provedores sensíveis de nuvem e busca fortalecer empresas europeias como alternativa às gigantes norte-americanas.

A SpaceX reagiu com críticas duras ao projeto de espectro. A empresa alertou que a medida pode piorar a conectividade na Ucrânia, onde o Starlink tem sido crucial para comunicações civis e militares desde a invasão em grande escala pela Rússia, em 2022.

Puzder reconheceu o direito da Europa de proteger informações governamentais sensíveis, mas criticou o uso de legislação para favorecer empresas nacionais em detrimento de rivais americanas. "Se o objetivo é tornar os EUA menos competitivos, não considero que essa seja uma finalidade legítima para esse tipo de legislação", afirmou. "Não se tornam as empresas europeias mais competitivas tornando as empresas americanas menos competitivas", completou.

O embaixador também questionou se a aplicação da Lei dos Mercados Digitais da UE — que busca limitar o poder das maiores empresas de tecnologia — visa melhorar a concorrência ou gerar receita para o orçamento europeu, à luz de multas bilionárias em euros aplicadas a big techs dos EUA. "Começamos a nos perguntar: estamos tentando lidar com a concorrência no mercado digital ou gerar receita com empresas americanas para beneficiar a Europa?", disse.

Puzder argumentou que a regulação europeia e o desestímulo ao investimento americano podem prejudicar as ambições do bloco em tecnologia. Em vez de contener rivais dos EUA, Bruxelas e Washington deveriam unir forças para competir com a China na corrida pela inteligência artificial, na visão do diplomata.

Impacto na prática

Na Europa, a disputa pelo espectro satélite-celular pode, em tese, alterar quais operadores conseguem oferecer conexão direta por satélite em smartphones — um mercado ainda em formação e ligado a serviços de emergência e cobertura em áreas remotas. Se o projeto avançar, usuários e governos do bloco podem ver mudanças na oferta e na performance de redes que hoje dependem de fornecedores como a SpaceX, embora os efeitos finais dependam da versão aprovada da norma.

Fora do continente, o debate pode repercutir em países que usam Starlink em cenários de conflito ou de infraestrutura frágil. A advertência da SpaceX sobre a Ucrânia sugere que restrições europeias ao espectro poderiam, hipoteticamente, afetar a qualidade ou a expansão do serviço em territórios que não fazem parte da UE, caso a capacidade global da constelação seja limitada pela regulação do bloco.

No plano comercial transatlântico, a retórica de Puzder indica que empresas europeias exportadoras podem enfrentar maior incerteza em relação ao acesso ao mercado americano se a UE seguir com reservas de espectro vistas em Washington como protecionismo. Sem detalhamento das possíveis represálias, analistas tendem a tratar o episódio como mais um capítulo da tensão comercial e regulatória entre os dois polos, que já inclui multas da Lei dos Mercados Digitais e discussões sobre nuvem e IA.

Para investidores e telecomunicações, o caso reforça o risco geopolítico em ativos ligados a satélites e big tech, sem que a reportagem aponte desfecho imediato para o projeto legislativo.

Se o impasse escalar, a disputa pelo espectro pode virar termômetro mais amplo da relação econômica entre UE e EUA — com potencial reflexo em contratos de nuvem, sanções cruzadas e na corrida tecnológica contra Pequim, conforme o enquadramento apresentado pelo embaixador americano à imprensa internacional.

Fontes: O Globo (Google News); Valor Econômico / Financial Times; Financial Times

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