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Estudo do Brasil Adiante projeta ganho de R$ 2,4 tri no PIB brasileiro entre 2027 e 2036

Estudo do Brasil Adiante projeta ganho de R$ 2,4 tri no PIB brasileiro entre 2027 e 2036
Imagem ilustrativa

Pesquisador da FGV/Ibre e do Insper estimou o efeito de 56 medidas em 11 áreas; cenário otimista chega a R$ 3,95 tri e o conservador a R$ 1,2 tri.

Foto: Malcoln Oliveira (Pexels)

O conjunto de propostas do projeto Brasil Adiante pode produzir um ganho acumulado de R$ 2,377 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 2027 e 2036, segundo estudo divulgado neste domingo (18) pelo jornal Estadão. O cálculo parte de 56 medidas distribuídas em 11 áreas e foi feito por Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre) e do Núcleo de Estudos Raciais do Insper.

Na leitura otimista das hipóteses, o impacto no PIB no mesmo período poderia chegar a R$ 3,954 trilhões. Em cenário conservador, o aumento seria de R$ 1,204 trilhão. O Brasil Adiante tem curadoria do executivo Fábio Barbosa e apoio do Estadão; reuniu especialistas em encontros de maio a agosto de 2026 e consolidou medidas pensadas para os primeiros 24 meses do próximo governo federal.

As propostas buscam enfrentar problemas estruturais do Estado brasileiro com contribuição de mais de 30 especialistas, conforme o veículo. As projeções contrastam um cenário em que as medidas seriam adotadas com um contrafactual em que não seriam implementadas.

O que aconteceu

Duque modelou áreas como educação, saúde, segurança, meio ambiente, infraestrutura, governo digital, reforma do Judiciário, defesa nacional, política externa, governança política e Estado eficiente. O levantamento mistura políticas que exigem recursos — investimentos em infraestrutura e educação, por exemplo — com iniciativas de economia fiscal, como maior eficiência do Estado.

Segundo o pesquisador, o trabalho parte da pergunta sobre o retorno de cada gasto e da disponibilidade de recursos para financiá-lo. “No relatório, a gente junta medidas que liberam recursos e medidas que demandam recursos. Por exemplo, o Estado eficiente é uma das medidas que vai liberar recursos que podem ser transferidos para a infraestrutura”, afirmou Duque ao Estadão.

As medidas agrupadas em Estado Eficiente poderiam gerar economia de R$ 1,11 trilhão até 2036, com revisão de despesas obrigatórias e de gastos tributários. Isso teria potencial para reduzir a dívida pública em 10,2 pontos percentuais do PIB frente ao cenário sem as propostas. O benefício bruto das medidas em dez anos é estimado em R$ 2,323 trilhões, equivalente a cerca de R$ 10,5 mil per capita acumulados na década, em valor presente — valor próximo ao ganho de PIB projetado, embora o indicador não capture redução de mortalidade, ganhos ambientais e queda de riscos.

Do total dos benefícios brutos, 56% (R$ 1,305 trilhão) seriam apropriados por famílias e empresas via renda, lucros e produtividade; R$ 1,018 trilhão beneficiariam o setor público e a sociedade com economia de gastos e preservação de vidas e saúde. Em dez anos, o maior ganho líquido por área viria da infraestrutura (R$ 359,1 bilhões), com ênfase em transportes, universalização do saneamento, manutenção e concessão de rodovias e melhorias em portos e hidroportos. A educação (R$ 294,8 bilhões) e a saúde (R$ 178,3 bilhões) vêm em seguida, com foco em professores e atenção primária.

Até 2050, a educação lideraria com ganho líquido estimado de R$ 842,4 bilhões; infraestrutura (R$ 748 bilhões) e saúde (R$ 243,1 bilhões) aparecem depois. Duque destacou que a conta do PIB pesa infraestrutura no curto prazo, enquanto a educação ganha relevância no longo prazo: “No caso da infraestrutura, você aumenta a capacidade produtiva e gera um investimento logo no começo.”

Impacto na prática

Se as propostas fossem adotadas conforme o desenho analisado, parte do efeito poderia se traduzir, em tese, em maior renda disponível para famílias e empresas e em alívio fiscal para o governo — hipóteses que dependem de implementação, priorização política e financiamento. A projeção não garante que o próximo mandato execute o pacote; o documento consolida medidas voltadas aos primeiros 24 meses do próximo governo federal, conforme o veículo.

Para o país, um ganho desse porte no PIB, caso se materializasse, poderia, em hipótese, reforçar capacidade de investimento em serviços e obras e reduzir pressão sobre a dívida no cenário com Estado Eficiente — sempre dentro das premissas do estudo e não como previsão fechada. Ganhos em saúde e educação no modelo sugerem melhoria de capital humano ao longo do tempo, mas o relatório deixa claro limites do que entra na conta do PIB.

As estimativas servem como referência quantitativa para a campanha e o debate sobre o mandato 2027-2030; a trajetória real da economia dependerá de quais medidas avançarem no Congresso e na administração federal, e de como se combinarão cortes e despesas novas.

Fontes: Estadão

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