Manaus e outras 35 cidades seguem em alerta com fumaça em nível perigoso no Amazonas

Na manhã de 17 de outubro, a IQAir classificou o ar de Manaus como perigoso, com PM2,5 a 404,3 µg/m³ — 80,9 vezes a diretriz anual da OMS. O Ibama suspendeu voos de combate e o governo anunciou reforços.
Foto: Daniel Magalhães (Pexels)
A fumaça de queimadas levou Manaus a registrar, na manhã deste sábado, 17 de outubro de 2026, qualidade do ar classificada como perigosa pela plataforma IQAir. Por volta das 9h, a concentração de partículas finas (PM2,5) chegou a 404,3 microgramas por metro cúbico — valor que corresponde a 80,9 vezes a diretriz anual de exposição da Organização Mundial da Saúde (OMS). A comparação usa referência de longo prazo e não indica que essa tenha sido a média ao longo do ano na capital.
Manaus integra um grupo de 36 municípios amazonenses em situação de emergência por incêndios florestais, entre eles Apuí, Coari, Humaitá, Itacoatiara, Manacapuru, Parintins e Tefé. O prefeito Renato Junior (Avante) pediu apoio a autoridades estaduais, nacionais e internacionais e, em vídeo nas redes sociais, declarou que “Manaus precisa de socorro”, atribuindo a fumaça principalmente a incêndios fora dos limites do município.
Enquanto o governo anunciou reforços às operações no estado, autoridades investigam a origem dos focos e a possibilidade de ação intencional — hipótese que ainda depende das apurações em curso.
O que aconteceu
Segundo o relato publicado pelo Exame, a poluição está associada a queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos. Partículas liberadas pelo fogo podem ser transportadas pelo vento por longas distâncias; a falta de chuva contribui para a permanência dos poluentes na atmosfera.
O PM2,5 é material particulado com diâmetro de até 2,5 micrômetros, capaz de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. A OMS associa a exposição a problemas respiratórios e cardiovasculares e recomenda concentração média anual de até 5 microgramas por metro cúbico e média de 24 horas de até 15 microgramas por metro cúbico — períodos de medição distintos, que não devem ser confundidos com uma leitura pontual como a registrada na manhã do sábado.
O combate às chamas também foi afetado. Em nota, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que a baixa visibilidade impediu a saída de aeronaves de Manaus no sábado e que o órgão esperava melhora das condições ao longo do dia para retomar os voos. Na sexta-feira, 16, a capital havia suspendido aulas da rede municipal para reduzir a exposição de estudantes e profissionais da educação à fumaça.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou na quarta-feira, 14, que os focos tiveram origem humana e que ao menos 120 procedimentos investigatórios haviam sido abertos. As autoridades apuram se houve ação intencional e possível coordenação; a identificação de origem humana não comprova, por si só, que os incêndios foram coordenados.
Para o Amazonas, o Ministério do Meio Ambiente anunciou neste sábado cinco aeronaves adicionais, com previsão de ampliar de 11 para 16 o total disponibilizado às operações. Também informou reforço da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das Forças Armadas, com efetivos ainda a definir. A Defesa Civil Nacional empenhou R$ 14 milhões para apoio logístico, equipamentos e contratação de duas aeronaves; o comunicado não estabelece prazo para o controle dos incêndios. Na saúde, o governo prevê instalar base descentralizada da Força Nacional do SUS em Manaus na terça-feira, 20 — mobilização preventiva; até a publicação do comunicado, não havia sido observada sobrecarga dos serviços de saúde em decorrência dos incêndios.
Impacto na prática
Para quem vive em Manaus e nos demais municípios em emergência, a leitura de ar “perigoso” pode significar maior risco respiratório e cardiovascular nas horas em que a concentração de PM2,5 permanece elevada, conforme os alertas da OMS citados na reportagem. Os indicadores variam ao longo do dia com poluentes e meteorologia; em tese, períodos prolongados de fumaça densa podem afetar rotina escolar, transporte e atividades ao ar livre, como sugerem a suspensão de aulas na sexta e as orientações implícitas na crise de visibilidade.
Na dimensão operacional, a interrupção dos voos de combate a partir de Manaus pode, em hipótese, atrasar o enfrentamento dos focos enquanto a visibilidade não melhorar — o que reforça a dependência de reforços anunciados (aeronaves, forças de segurança e recursos da Defesa Civil). Para o estado do Amazonas como um todo, a lista de 36 cidades em emergência indica que o problema não se restringe à capital, embora Manaus concentre a medição que viralizou nos índices internacionais de qualidade do ar.
Em escala nacional, o episódio pode alimentar o debate sobre origem humana dos incêndios e sobre a capacidade de resposta federal às queimadas na região Norte, especialmente às vésperas de eventos internacionais ligados ao clima — sem que isso, por ora, altere de forma mensurável indicadores macroeconômicos citados na pauta. Investigações em andamento e a chegada prevista da base de saúde na terça-feira podem, conforme os resultados das apurações e a evolução do tempo, definir se a situação se estabiliza ou se novas medidas serão necessárias além dos reforços já comunicados.
Fontes: Exame — Manaus e outras 35 cidades seguem em nível de alerta; fumaça atinge nível perigoso no Amazonas (17/10/2026).
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