Quatro ministros chegam a Manaus para coordenar combate a incêndios e crise de fumaça

Comitiva federal inclui pastas da Justiça, Defesa, Meio Ambiente e Integração após apelo do prefeito; Amazonas registrou 705 focos de calor no sábado.
Foto: K (Pexels)
Quatro ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcaram em Manaus neste domingo, 18 de outubro de 2026, para coordenar ações de combate aos incêndios que provocaram uma grave crise de fumaça na capital amazonense. A mobilização ocorre após um apelo do prefeito Renato Junior (Avante) ao governo federal.
A comitiva inclui a instalação de um Estado-Maior das Forças Armadas e o emprego de 16 aeronaves nas operações. Participam o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; da Defesa, José Múcio Monteiro; do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes.
Segundo Renato Junior, Lula telefonou ao prefeito, acompanhado do senador Eduardo Braga (MDB), para tratar da crise e do envio dos representantes do governo federal. O quadro de focos de calor e de poluição do ar se agravou nos últimos dias na região metropolitana.
O que aconteceu
Conforme dados da Defesa Civil de Manaus divulgados pela prefeitura à Broadcast, o Amazonas registrou 705 focos de calor no sábado, 17, ante 226 na sexta-feira, 16. Na manhã de sábado, a concentração de partículas finas (PM2,5) na capital chegou a 401,4 microgramas por metro cúbico, índice classificado como péssimo pelo órgão municipal.
De acordo com Wellington César, o Ministério da Defesa determinou a instalação do Estado-Maior. R$ 11 milhões já foram destinados ao Estado para as operações. O ministro afirmou que as pastas envolvidas estão autorizadas a ampliar os recursos conforme a necessidade e que as forças federais também acompanharão possíveis práticas criminosas relacionadas aos incêndios.
A Prefeitura de Manaus se reunirá nesta segunda-feira, 19, às 9h, com a equipe de meteorologia para avaliar uma nova suspensão das aulas, por períodos de 24 a 72 horas, que poderá incluir a rede particular de ensino. As atividades na rede municipal já haviam sido suspensas em razão dos riscos à saúde. Na terça-feira, 20, está prevista a instalação de uma base da Força Nacional do SUS na capital.
Impacto na prática
Com PM2,5 em patamar classificado como péssimo e a fumaça cobrindo a cidade, moradores de Manaus podem continuar expostos a riscos respiratórios enquanto os incêndios persistirem, conforme o cenário descrito pela Defesa Civil municipal. A possível ampliação da suspensão de aulas, em tese, pode afetar famílias que dependem da rede pública e, se incluir escolas particulares, ampliar o alcance da medida além do que já vale para a rede municipal.
O reforço federal com aeronaves, recursos e comando militar sugere que o combate às chamas e o monitoramento de eventual crime ambiental passam a ter coordenação centralizada em nível nacional na capital do Amazonas. A base da Força Nacional do SUS prevista para terça-feira pode, em hipótese, aliviar pressão sobre o atendimento de saúde ligado aos efeitos da poluição do ar, ainda que a fonte não detalhe capacidade ou duração da estrutura.
Para o estado do Amazonas, a liberação de R$ 11 milhões com possibilidade de ampliação indica que o custo operacional do enfrentamento da crise pode crescer conforme a evolução dos focos de calor. Casos semelhantes de pico abrupto de focos, como o salto de 226 para 705 em um dia, reforçam a leitura de que a situação permanece volátil e dependente de condições meteorológicas e do ritmo das ações no terreno.
A presença simultânea de quatro ministros em Manaus pode sinalizar que o governo federal trata o episódio como prioridade política e operacional; se o Estado-Maior e as 16 aeronaves reduzirem a fumaça nos próximos dias, a capital poderia retomar gradualmente rotinas escolares e atividades cotidianas, mas isso dependerá dos dados que a prefeitura e a meteorologia avaliarem na reunião de segunda-feira.
Fontes: InfoMoney
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